Série
Entre Forma e Presença
Um certo dia, na praia de Manguinhos, deparei-me com formas que me lembravam árvores: a água do mar, ao encontrar a areia, deixou linhas semelhantes a galhos e raízes. Os traços logo se desfizeram, mas por um momento lembraram a presença de uma fauna invisível, enraizada na memória do litoral.
Essas marcas, como árvores impressas pelo oceano, revelam o poder transformador da água e mostram que movimento e quietude coexistem. Cada onda, ao recuar, escreve padrões únicos e efêmeros — testemunhas silenciosas do eterno fluxo do tempo e da transitoriedade da existência humana.
A vida, tal qual o mar, flui em constante movimento. Cada maré traz desafios e a promessa de um novo começo, deixando marcas que um dia desaparecerão — pois nada é permanente, e dor e alegria são passageiras. Navegando pelas tempestades, aprendemos a aceitar que a única constância é a mudança, encontrando serenidade na certeza de que tudo se transforma, assim como os vestígios deixados na praia.







