Série
Projet Noir
“Fritz Lang disse que ele desenhou os cenários do seu futuro à partir dos arranha-céus vistos em Nova York, em 1924, que lhe pareceram “como barcos a vela verticais, numa decoração luxuosa suspensa em um céu escuro para deslumbrar, divertir e fascinar” – este céu sombrio que fascina, aparece também nas fotos de Lucia Adverse. Ela por sua vez, acentua ao extremo esses contrastes no seu preto e branco, cortando casas e edifícios sob o céu preto ou cinza degradê, imergindo-nos num contexto urbano, onde até mesmo fotografar à luz do dia, parece ter sido feito à sombra da noite. Portanto, a fotógrafa despeja na noite, ainda poderosas luzes iluminando fachadas de edifícios, muitas vezes riscadas por entre os galhos de árvores nuas, mostrando seus esqueletos de inverno, reproduzindo o efeito noite americana, que se estende ao longo de Berlim, como se toda a cidade vivesse sob um eclipse solar permanente, como se o sol tivesse perdido seu poder de radiação e virou negro eternamente.”
Pascale Lismonde
(Trecho do ensaio crítico “O Reencontro da Aura nas Fotos de Berlim”, escrito para a exposição Der Sturm, série integrante do projeto Noir.)
Metropolis
Nova York foi o ponto de partida do Projeto Noir. Sua arquitetura monumental, despertou em mim um novo modo de olhar a cidade e evocou o universo de Metropolis, de Fritz Lang, que inspirou o título da série. Foi entre contrastes de luz e sombra, que compreendi que os edifícios podiam revelar atmosferas que iam além de sua forma, transformando o espaço urbano em narrativa e dando início a uma pesquisa que se expandiria para outras cidades.
Paris Noir
Em Paris, o contraste entre luz e sombra atingiu uma nova intensidade. As ruas quase vazias e as figuras transformadas em silhuetas, fizeram surgir uma cidade suspensa no tempo, onde a arquitetura parecia sobreviver à própria presença humana. Inspirada na origem francesa do termo Film Noir, essa série revelou um novo aspecto da minha pesquisa: compreender que, muitas vezes, é a ausência que dá forma à imagem.
Der Sturm
Na capital alemã, encontrei uma cidade onde o tempo permanece inscrito na paisagem. Entre contrastes intensos de luz e sombra, meu olhar foi conduzido por uma atmosfera densa, quase como uma tempestade contida, onde passado e presente parecem coexistir. Inspirada no periódico expressionista Der Sturm (A Tempestade), essa série nasce da percepção de que a fotografia pode revelar aquilo que permanece além do visível. Em Berlim, compreendi que a arquitetura também pode expressar emoções.
Cidade Oculta
Encerrar o Projeto Noir em uma capital brasileira era, para mim, uma necessidade. Escolhi São Paulo por sua dimensão metropolitana, por sua história e pelas camadas ocultas que atravessam sua paisagem. Mas, ao caminhar por suas ruas, compreendi que não buscava apenas a estética do Noir: procurava também a mim mesma, através da arquitetura. Entre vestígios, símbolos e narrativas discretamente inscritas na cidade, nasceu Cidade Oculta, um olhar voltado para aquilo que, mesmo diante de nós, permanece invisível.











































































































